O mundo parou enquanto eu corria.
Esperava ficar inerte,
Mas continuei pisando cada vez mais fundo
Enquanto nada respondia ao redor.
Parei pra ouvir o som e, 
Se não fosse pela minha respiração ofegante,
o silêncio seria ensurdecedor.
Observei as folhas pausadas no ar, 
As gotas ainda presas às árvores,
torcendo pra sentir um pingo de água na pele,
na esperança de que,
no encontro do suor com a pureza,
eu me sentisse minimamente viva.
O mundo parou enquanto eu corria
Eu queria conseguir parar ou dar ritmo às coisas,
mas continuei desesperada,
num estado frenético rumo a um destino incerto.
Olhei as pessoas ao redor: estáticas
Expressões de empolgação, medo, 
frustração, paixão e surpresa
Reconheci o meu aspecto totalmente apático, 
mesmo tão cansada.
O mundo parou enquanto eu corria
Mal sabia eu que os obstáculos 
eram na verdade pensamentos
Soltos, embaralhados, perdidos,
fortemente desestimulados.
A verdade é que o mundo correu e eu parei: 
anestesiada, vulnerável, ansiosa pelo recomeço, 
todavia sem forças para dar um passo à frente.
A árvore era, na verdade,
a esperança de que a folha e a gota 
tomassem seus destinos naturais, próximas ao chão.
A procura pelo barulho era, então, 
a busca incansável por escutar algo 
que não seja a infinidade de coisas que penso e sinto.
As pessoas demonstravam minhas próprias emoções, 
num ângulo diferente pra que eu pudesse, 
claramente, enxergar
Os pensamentos, bom… 
São sempre eles: 
um turbilhão de contextos 
em um universo no qual só se anda só.
O mundo parou e eu corri,
na direção contrária, 
numa tentativa extrema de encontrar um lugar 
onde eu possa descansar, 
pra que eu pare e ele - 
o universo que vivia em mim, outrora - 
siga. 
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